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Entrevista

Bate-papo com o ganhador do Concurso Cervejeiro
O vencedor do Concurso Cervejeiro Caseiro Bierland 2013, Rafael Bertges Silva de Carvalho, engenheiro de Niterói (RJ), conversou conosco e revelou alguns dos segredos que o levaram a conquistar a medalha de ouro, agradeceu a contribuição de amigos e da ACervA Carioca e dedica o prêmio a sua esposa.
Bierland – Como foi preparar a fórmula vencedora do concurso?
Rafael: A fórmula vencedora do concurso foi resultado de uma série de experiências. Ela foi a quarta batelada de Witbier que fizemos, em um período de aproximadamente dois anos. Nenhuma batelada foi exatamente igual à outra, pois sempre procuramos ajustar alguma característica , com base na experiência das anteriores. E, apesar disso, não posso dizer que fizemos apenas quatro cervejas diferentes, pois a partir de nossa terceira Witbier, já tínhamos uma capacidade de produção que nos permitia dividir o mosto em quatro diferentes fermentadores, onde colocávamos em cada um, uma levedura distinta. Assim, podíamos avaliar a influência da cepa no sabor ou aroma da cerveja. Avaliamos não apenas cepas específicas para o estilo, mas também outras que pudessem nos trazer algum diferencial. Em suma, a fórmula vencedora foi fruto de um desenvolvimento a partir de uma dezena de experiências diferentes!
Bierland – Para fazer uma cerveja do estilo Witbier você fez muita pesquisa bibliográfica ou optou por trocar experiências com cervejeiros experientes?
Rafael: Foi muito das duas coisas.Além das experiências que relatei anteriormente,a pesquisa bibliográfica e a troca de experiências foram complementares. A evolução como cervejeiro é acelerada quando se faz uso destas “ferramentas” e a ACervA Carioca teve e tem um papel fundamental nisto. Ela é uma associação que estimula muito estas duas coisas a partir de seus eventos técnicos, como a Sabatina Cervejeira, e agora também a partir de sua estrutura, com a criação de entidades regionais pelo estado. Também não poderia ser diferente. Basta olhar para seus fundadores e suas atitudes. Dois deles que muito nos influenciaram foram o Ricardo Rosa e o Leonardo Botto. Acho que eles retratam bem esta sinergia “pesquisa bibliográfica” e “troca de experiências”. O Ricardo apresenta uma referência para toda decisão que toma na elaboração de suas receitas e o Botto, meu primeiro professor nos assuntos cervejeiros, chega a publicar a receita da cerveja de sua própria marca comercial.
Bierland – Você teve algum tipo de ajuda nessa receita ou podemos dizer que você é um cozinheiro solitário?
Rafael: Nas respostas anteriores, sempre usei a terceira pessoa para descrever o desenvolvimento da receita vencedora. Isto porque esta receita é tão minha quanto do meu grande amigo Caio Delgaudio. Estamos juntos desde o início de produção artesanal. Todas as receitas são feitas “a quatro mãos”. E sua transformação em realidade é feita “a seis mãos”, pois contamos com a ajuda do meu sogro Tito Lechuga. Fazemos todas as brassagens em sua casa, na região oceânica de Niterói. E ele nos ajuda muito com as questões práticas do processo. Mas vale ressaltar que contamos com a ajuda de muitas pessoas para elaboração da receita vencedora. Como houve várias versões desta Witbier, as impressões dos amigos e familiares certamente contribuíram para as nossas decisões de mudança da receita.
Bierland – Costuma participar de outros concursos cervejeiros ou este foi o primeiro?
Rafael: Sim. Eu particularmente acredito que o concurso é um bom instrumento de avaliação. O primeiro concurso do qual participamos foi o Nacional das ACervAs de 2012, em Piracicaba. Depois competimos no Concurso Estadual da ACervA Carioca e fomos premiados nos dois estilos avaliados. Ficamos em 2º lugar na categoria Belgian IPA e em 3º lugar na categoria livre, com uma Indian Black Ale (Black IPA). Este ano, participamos novamente do Nacional das ACervAs, em Curitiba, e do Concurso Cervejeiro Caseiro Bierland.
Bierland – Fazer cerveja para você é um hobby? Desde quando você prepara cervejas?
Rafael: Hoje, fazer cerveja para mim é um hobby. A coisa mais importante das menos importantes (risos). Faço cerveja desde 2011 e não pretendo parar mais. Deve ser duro para a minha esposa ouvir isso (risos), mas ela sempre me apoiou e esse prêmio também é dela. Segundo ela, o brilho nos meus olhos quando falo de cerveja e sua produção derruba qualquer intenção que ela possa ter de me reprimir depois de fazer muita bagunça na casa dos pais dela.
Bierland – Como foi vencer o Concurso Cervejeiro Caseiro Bierland 2013?
Rafael: Eu sei que é meio clichê, mas é difícil expressar o que sinto. Vencer um concurso tão concorrido, ser avaliado e aprovado por um júri muito gabaritado e ainda ver uma receita sua ser produzida comercialmente pela Bierland, uma das cervejarias brasileiras mais premiadas internacionalmente? É a realização de um sonho para qualquer cervejeiro caseiro. E eu não fujo à regra. É a realização de um sonho, sim.
Bierland – Quando você deve vir a Blumenau para acompanhar a produção do lote da sua cerveja?
Rafael: O Eduardo Krueger foi muito gentil e me ligou para me parabenizar. Comentou que a ideia é produzir o primeiro mosto em fevereiro, para ser lançado durante o Festival Brasileiro da Cerveja em março de 2014. Detalhes serão discutidos com o sommelier de cervejas Rubens Deeke em contatos futuros. Eu sei é que já estou ansioso para que chegue logo fevereiro (risos)!
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